Vamos explicar, de forma clara, como cabos submarinos conectam continentes e mantêm nossa conectividade global.
Essas tubulações ópticas carregam mais de 98% do tráfego intercontinental e somam cerca de 1,2 a 1,4 milhão de quilômetros em operação ou planejamento. Nossa intenção é mostrar cada etapa: desenho das camadas, materiais de proteção e instalação no fundo dos oceanos.
Também abordaremos pontos de chegada no Brasil, como Fortaleza, Santos e Rio de Janeiro, e exemplos recentes — EllaLink, Malbec, Junior e Firmina. Vamos explicar por que essas rotas são vitais para a internet, redes e comunicação do país.
Ao final, teremos uma visão prática sobre planejamento, engenharia, repetidores, investimentos de grandes empresas e como essa infraestrutura evolui ao longo de sua vida útil. Nosso objetivo é deixar claro como a tecnologia transforma sinais de luz em conectividade para o mundo.
O que vamos aprender: do fundo do mar à nossa conexão diária
Vamos traçar o caminho completo dos cabos submarinos, desde o projeto até o momento em que os dados chegam às nossas casas.
Esses sistemas interligam continentes e transportam a maior parte do tráfego internacional. Usam fibra óptica para garantir alta velocidade e baixa latência, com repetidores a cada ~100 km para manter a qualidade da transmissão.
Na prática, vamos entender o design do sistema, as camadas de proteção, e os pontos críticos: roteamento, estudo do fundo do mar e licenças.
- Mapeamento passo a passo: do design à entrega dos dados na sua residência.
- Por que a transmissão por fibra é mais estável que alternativas via satélite.
- Como navios, ROVs, sonares e GPS ajudam na instalação e proteção dos cabos.
Ao final, teremos uma visão clara de como essas redes sustentam serviços em nuvem, streaming e comunicação global.
Como é feito o cabo submarino que liga o Brasil ao mundo
No núcleo desses sistemas estão fibra óptica de vidro, responsáveis por transportar o sinal em longas distâncias. Em volta, aplicamos gel ou vaselina para vedação e dissipação térmica.
Blindagens e materiais externos
Depois do gel, colocamos fitas metálicas e barreiras de alumínio. Em seguida, vêm blindagens de aço e camadas de policarbonato e polietileno.
Alimentação elétrica e compatibilidade
Um condutor de cobre ou alumínio percorre o conjunto para energizar repetidores a cada ~100 km. Isso mantém o sinal sem interferir na fibra, graças a projeto eletro-óptico cuidadoso.
Diâmetros, pressão e proteção costeira
O diâmetro típico fica em torno de 3,5 cm, variando conforme a profundidade e a necessidade de armadura. Trechos rasos recebem mais aço para resistir a âncoras e pesca.
- Camadas: fibra de vidro, gel, blindagens metálicas e polímeros.
- Barreiras contra água: vaselina e fitas de alumínio.
- Vida útil e resistência: projetados para até ~8.000 m e ~25 anos de uso.
Como planejamos a rota no oceano
Planejar a rota no oceano começa com estudos detalhados do leito e do ambiente marinho. Reunimos batimetria, geologia e padrões de navegação para evitar áreas instáveis e reduzir riscos.
Levantamentos oceanográficos e mapeamento do fundo
Fazemos sondagens e topografia do leito para localizar deslizamentos e estruturas sensíveis. Simulamos tensões no cabo com software e calculamos pontos de transição de armadura.
Legislação, licenças e acordos internacionais
Integramos requisitos de cada país e tratados para autorizar desembarques. Documentamos rotas para acelerar aprovações e auditorias entre jurisdições.
Definição do trajeto ideal
Buscamos minimizar impacto ambiental e maximizar vida útil. Planejamos logística de navios, estoques por quilômetros e janelas meteorológicas.
- Desenho: batimetria, geologia e riscos submarinos.
- Operação: rotas de tráfego e zonas de ancoragem evitadas.
- Segurança: critérios operacionais e SLAs para anos de serviço.
- Integração: coordenação com redes terrestres e pontos de desembarque.
Como instalamos: do navio ao fundo do mar
Instalar um sistema exige coordenação entre equipes no convés e suporte técnico subaquático. Planejamos janelas climáticas e a velocidade do navio para reduzir riscos e atrasos.
Navios cablistas, ROVs, sonares e GPS em ação
Usamos navios especializados carregados com bobinas e equipamentos de medição. ROVs, sonares e GPS confirmam posição e status enquanto desenrolamos o cabo.
Desenrolamento, lançamento e controle de tensão
No convés controlamos guinchos e tensionadores para evitar dobras, abrasão e tração excessiva. O lançamento exige vigilância contínua para manter integridade e testes de aceitação.
Enterro em áreas de risco
Em trechos rasos usamos jatos d’água ou arados para enterrar os cabos e reduzir danos por âncoras e pesca. Próximo à costa reforçamos camadas de armadura para maior proteção.
Aterramento e integração com a rede em terra
Na chegada construímos o beach manhole e aterramos o cabo na estação terrestre. Conectamos aos backhauls ópticos e aos pontos de troca (IXs) e registramos coordenadas para manutenção futura.
- Preparo do navio e medição do cabo carregado.
- Controle de tensão e monitoramento com ROVs e sonares.
- Enterro local em áreas críticas e reforço costeiro.
- Testes de continuidade, atenuação e alimentação dos repetidores.
Como funciona a transmissão por fibra óptica de longa distância
A transmissão em longas distâncias usa pulsos de luz controlados por lasers para transportar enormes volumes de dados. Em redes de alta capacidade, múltiplos comprimentos de onda via WDM multiplicam a capacidade sem tocar na própria fibra.
Lasers, fibras de vidro e sinais de alta velocidade
Lasers modulam a luz em canais distintos. Cada canal carrega sinais com formatos avançados e FEC para reduzir erros.
Com modulação moderna, sistemas alcançam ~160 Tbps em rotas Brasil–EUA e podem chegar a centenas de Tbps em sistemas globais.
Repetidores e amplificadores a cada ~100 km
Perdas ópticas exigem amplificadores EDFA a cada ~100 km. Eles restauram o nível do sinal e permitem transmissão por milhares de quilômetros.
- Planejamento de espectro: engenheiros projetam faixas para upgrades sem substituir a fibra.
- Monitoramento: telemetria acompanha saúde óptica e consumo dos repetidores em tempo real.
- Eficiência: menor consumo reduz OPEX e aumenta a vida útil prevista de ~25 anos.
Nós destacamos que decisões de modulação, amplificação e gestão de espectro definem a capacidade e a confiabilidade do sistema. Assim, as redes suportam o crescimento do tráfego impulsionado por nuvem e streaming.
Capacidade, investimentos e vida útil: a infraestrutura que sustenta a internet
Investimentos bilionários e decisões técnicas definem quanta capacidade temos hoje. Mais de 98–99% do tráfego intercontinental passa por cabos submarinos, então a escala financeira impacta toda a rede.

Entre 2022 e 2024 projetou-se cerca de US$ 10 bilhões em novos projetos. Grandes empresas e consórcios lideram o financiamento. Exemplos incluem Seabras‑1 (~US$ 500 milhões) e SACS (~US$ 300 milhões).
A vida média de um sistema costuma ser ~25 anos. Porém, muitos sistemas são substituídos antes para ganhar mais capacidade e reduzir o custo por bit.
Conectamos essa infraestrutura a data centers e IXs para suportar nuvem e serviços de streaming. Assim, nossas decisões de investimento determinam disponibilidade, SLAs e o preço dos dados.
- Quantificação: cabos submarinos sustentam o tráfego global.
- Financiamento: consórcios e empresas dividem risco e CAPEX.
- Ciclo de vida: comissionamento, operação, manutenção e substituição.
Brasil conectado: rotas, pontos de chegada e cabos recentes
No litoral brasileiro concentramos pontos estratégicos de aterragem que sustentam grande parte da nossa conectividade internacional.
Portas de entrada: Fortaleza, Santos e Rio de Janeiro são as principais praias onde chegam os cabos. Essas escolhas reduzem custo logístico e facilitam integração com redes terrestres e data centers.
Cabos em destaque
Nos últimos anos chegaram sistemas importantes: EllaLink (Portugal–Brasil, 2021), Malbec (GlobeNet/Meta, 2021), Junior (Google, 2018) e Firmina (Google, previsto 2024). Esses cabos aumentam diversidade de rotas entre continentes e melhoram resiliência.
Capacidade e integração
Temos enlaces de alta capacidade com os EUA, com referências perto de ~160 Tbps em alguns sistemas. Conexões chegam a IXs e data centers, acelerando entrega de dados e reduzindo latência para provedores e empresas locais.
Onde ver as rotas
Para mapas e status, consultamos submarinecablemap.com. Lá visualizamos trajetos, pontos de desembarque e planeamentos de expansão da infraestrutura nacional.
- Mapeamos praias e motivos estratégicos.
- Diversidade de cabos Europa‑Américas fortalece continuidade.
- Múltiplas landing stations melhoram oferta para nosso país.
Riscos, proteção e manutenção no fundo do mar
Riscos no leito marinho combinam ação humana e eventos naturais com impacto direto na oferta de dados.

Ameaças principais
Cerca de 70% das falhas vêm de atividades humanas: pesca e ancoragem são responsáveis por boa parte dos danos.
Dragagem e acidentes com equipamentos também cortam trechos. Sismos, tsunamis e deslizamentos completam o rol de riscos naturais.
Camadas de proteção e monitoramento
Enterrar os cabos em trechos rasos e adicionar armaduras reduz ataques por pesca e âncoras.
Complementamos com sensores e telemetria para detectar falhas em tempo real e isolar o ponto afetado.
Reparos complexos e logística
Reparos exigem navios especializados: içamento, corte da seção danificada e emenda. Operações podem levar dias ou semanas, por causa de janelas meteorológicas e disponibilidade de embarcações.
- Prevenção costuma ser mais barata que o reparo.
- Arquiteturas em anel permitem autorrestauração do tráfego.
- Acordos de manutenção e estoques de peças reduzem tempos de indisponibilidade.
- Comunicação com comunidades pesqueiras e autoridades melhora segurança.
Para operações de manutenção coordenadas e exercícios conjuntos, consultamos práticas oficiais, como o exercício da Marinha, que fortalece resposta e logística.
Cabos submarinos versus satélites: quando usar cada tecnologia
A decisão entre satélites e fibras depende de latência, capacidade e do perfil do tráfego. Em 1995, satélites e enlaces marítimos dividiam quase meio a meio a transmissão global. Hoje, cabos carregam cerca de 98–99% do tráfego por oferecerem maior capacidade e menor custo por bit.
Estabilidade, latência e custo por capacidade
Comparando latência, a fibra em rotas entre continentes entrega milissegundos menores que enlaces via espaço. Para volumes contínuos entre data centers, cabos são preferíveis.
Satélites brilham em cobertura remota e broadcasting. Eles servem bem a áreas sem infraestrutura terrestre e a links one‑to‑many.
- Velocidade: fibra oferece menor latência para serviços em tempo real.
- Capacidade: par de fibras suporta muito mais tráfego que um único transponder orbital.
- Custo por bit: atualizações em estações terrestres escalam melhor que substituições em órbita.
- Resiliência: combinar rotas por cabos e enlaces satelitais aumenta contingência.
Concluímos que ambas tecnologias são complementares. Para tráfego constante entre continentes e centros de dados, priorizamos cabos. Para cobertura do mar e regiões isoladas, usamos satélites.
Conclusão
Encerramos ressaltando o papel vital dessa infraestrutura na manutenção de serviços digitais rápidos e confiáveis.
Recapitulamos a engenharia por trás de cada cabo: camadas protetoras, alimentação elétrica e blindagens que garantem durabilidade. A fibra óptica e a alta capacidade de transmissão mantêm a comunicação entre continentes.
O planejamento de rota e a instalação no fundo exigem estudos e navios especializados. Grandes consórcios e big techs financiam e atualizam esses sistemas para ampliar capacidade.
No Brasil, rotas como EllaLink, Malbec, Junior e Firmina fortalecem pontos de aterragem em Fortaleza, Santos e Rio. Para acompanhar mapas e informações, recomendamos consultar submarinecablemap.com.
Por fim, convidamos empresas a avaliar como tirar proveito dessa conectividade. Parte da decisão envolve custo, latência, resiliência e regras locais. Uma internet mais robusta depende de investimentos contínuos em cabos submarinos confiáveis e diversos.