Nós contamos como um avanço que pareceu repentino foi, na verdade, fruto de longos séculos de invenções e testes.
Em 1972, a HP lançou o modelo HP-35 e mudou o rumo da vida acadêmica e profissional. A migração de visores LED para LCD reduziu consumo e abriu caminho para painéis solares.
No Brasil, preços menores e muitos modelos à venda em lojas e departamentos tornaram o uso comum entre estudantes. Fabricação local em Manaus cresceu, embora chips viessem do exterior.
Vamos explicar por que decisões de design e custos de componentes definiram quais máquinas venceram e quais sumiram. Este texto mostra como seu uso atual nasce de muita engenharia e escolhas culturais.
Das raízes mecânicas ao salto eletrônico: o caminho até caber no bolso
Nossa jornada começa com artefatos antigos que mostraram ser possível automatizar contas sem eletricidade.
Da Máquina de Anticítera — um computador analógico com ao menos 30 engrenagens de bronze capaz de prever eclipses — até o ábaco, vimos que engrenagens e arranjos mecânicos podiam executar operações.
Dos ábacos e da Máquina de Anticítera a Pascal, Schickard e Leibniz
Schickard, Pascal e Leibniz trouxeram confiança ao cálculo. Eles tornaram adições, subtrações e multiplicações mais repetíveis.
Do aritmômetro de Thomas de Colmar aos sucessos de Odhner e Felix
Em 1851, o aritmômetro virou padrão comercial. Surgiram clones e modelos como Odhner/Brunsviga e o Felix soviético, que venderam milhões de unidades.
A virada dos transistores e dos chips: preparando as calculadoras eletrônicas
Com válvulas, depois transistores (1947) e, finalmente, circuitos integrados (1958), reduziu-se tamanho e consumo.
- Exemplo: semicondutores cortaram volume e elevaram precisão.
- Resultado: o tipo de produto passou a permitir caber no bolso.
Esse percurso moldou a confiança do usuário e preparou o terreno para os próximos anos de inovação.
A história secreta da primeira calculadora de bolso: quem chegou primeiro e como chegou
Entre 1970 e 1975 vimos máquinas que mudaram o que era possível levar junto. Nessa janela surgiram modelos que misturaram inovação em circuitos e design prático.
Canon Pocketronic (1970) trouxe algo concreto: impressão térmica num formato compacto. Isso permitia levar resultados no papel direto do bolso para o caderno.
Sharp apostou em visores VFD e circuitos Rockwell. O brilho e a legibilidade interna fizeram diferença frente a outros tipos de exibição.

HP-35 (1972) foi o exemplo que mudou rotinas. Como primeira calculadora científica portátil, ela reduziu o uso da régua de cálculo e ampliou as operações acessíveis em campo.
HP-65 (1974) elevou o jogo: programação por cartões magnéticos permitia rotinas gravadas. A máquina acompanhou missões como a Apollo-Soyuz em tarefas de correção manual.
- Em 1975, a Texas Instruments deixou de ser só fornecedora e entrou como competidora.
- Essa mudança acelerou inovação, reduziu preços e multiplicou modelos no mercado.
Cada lançamento formou peças de um quebra-cabeça: circuitos, displays e funções definiram por que certas empresas venceram na década.
Quando as calculadoras invadiram a vida real: preços, usos e modelos no Brasil
Nosso mercado viveu uma onda de oferta que deixou o consumidor com muitas opções. Varejistas, magazines e lojas de foto exibiam prateleiras cheias, e vendedores relatavam vendas em grande volume.
Dos balcões às mochilas: demanda estudantil, vitrines cheias e queda de preço
Estudantes pressionavam por desempenho em provas e criaram demanda imediata por aparelhos portáteis. Isso empurrou fabricantes a lançar modelos acessíveis e resistentes.
A transição do LED para LCD cortou consumo. Depois, células solares viraram tendência. Essas escolhas reduziram o preço e trocaram brilho por autonomia, acelerando o uso em sala.

Financeiras e científicas: HP no país, teclas Klixon, RPN, agenda e impressoras
A presença da HP trouxe funções financeiras e estatísticas ao público. A HP-19B, por exemplo, tinha agenda e comunicação por infravermelho com impressoras térmicas.
Teclas com Klixon deram resposta tátil e reduziram erros. Enquanto isso, a fabricação na Zona Franca de Manaus aumentou oferta, mas chips vinham do exterior e empresas asiáticas competiam por preço.
- Tipos mais buscados: quatro operações, modelos financeiros e científicos.
- Profissionais preferiam máquinas de mesa com impressão para lançamentos e conferências.
- No fim da década, o consumidor aprendeu a escolher por uso, custo‑benefício e durabilidade.
Segredos de engenharia e de mercado: chips, visores, RPN e a disputa das empresas
Concluímos que o salto veio quando projeto eletrônico e estratégia comercial convergiram. Texas Instruments passou de fornecedora a rival em 1975, o que barateou circuitos e mudou portfólios. ,
Visores LED cederam espaço a LCD por eficiência; VFD trouxe brilho; células solares reduziram a necessidade de pilhas. HP consolidou RPN na HP‑35 e evoluiu para a HP‑28S, com LCD multicamadas, ROM/RAM e funções que deixaram a máquina próxima de um computador para cálculo complexo.
No Brasil, montagem em Manaus supriu demanda, mas chips vieram do exterior e concorrência asiática pressionou preço e qualidade. Hoje, escolher o tipo certo — científica, financeira ou programável — continua sendo a chave para produtividade e bom investimento em calculadoras eletrônicas.