Vamos explicar de forma direta o fenômeno conhecido como agroglifos. Chamamos assim padrões criados pelo achatamento de cereais, cana, colza e capim. Esses desenhos podiam variar da simples forma circular até composições geométricas complexas.
Mostramos também por que pesquisadores concluíram que a maior parte dos casos no mundo teve origem humana. As marcas surgiam em áreas de fácil acesso, perto de estradas, vilarejos e monumentos famosos.
O fenômeno ganhou fama no fim dos anos 1970, no sul da Inglaterra, com cobertura intensa durante a década seguinte. No Brasil, um exemplo notório começou em 2008, em Ipuaçu (SC), com repetições anuais que atraíram atenção pública.
Nosso objetivo é apresentar história, técnica e hipóteses sem sensacionalismo, mostrando como o contraste de luz e sombra, resultado do achatamento ordenado das hastes, fez desenhos visíveis quando vistos do alto.
Agroglifos: o que são, como se formam e por que fascinam
Explicamos, de forma direta, como essas figuras aparecem em campos e por que atraem tanta atenção.
Definição e papel do achatamento
Agroglifos são padrões em plantações criados pela dobra organizada das hastes, sem corte. O achatamento muda a direção das plantas e altera brilho e sombra, tornando a figura visível do alto.
Formas e materiais
Nem todas as obras são círculos perfeitos; aparecem linhas, curvas e mosaicos geométricos. Trigo, cevada, colza, cana e capim foram os materiais mais usados.
Técnicas, noite e fatores naturais
Metodologias documentadas incluíam tábuas presas por cordas, marcações simples e, em trabalhos avançados, GPS ou lasers.
Muitas ações ocorreram à noite para evitar testemunhas. O vento e micro-redemoinhos também provocaram amassamentos irregulares.
Mitos versus verdade
Mitos cresceram pela surpresa matinal e pela ausência aparente de pegadas. Testes controlados reproduziram todas as características, indicando autoria humana na maioria dos casos.
- Resumo: técnica, estética e mistério uniram-se para criar um fenômeno cultural fascinante.
O que são os círculos nas plantações e como surgiram
Desde o século XVII há menções a anéis e arcos em campos que hoje entendemos como padrões intencionais. Robert Plot (1686) descreveu formas estranhas; John Rand Capron, em 1880, ligou alguns relatos a tempestades; em 1932 E. C. Curwen citou anéis escuros em cevada.

Consolidamos a definição: essas formações foram, na maioria dos casos, criadas por pessoas e passaram a ser chamadas de agroglifos. A atenção cresceu nos anos 1960 em Wiltshire e explodiu no fim dos anos 1970, com forte cobertura durante a década seguinte.
A frequência em culturas como o trigo tem razão prática: contraste visual, hastes maleáveis e tempo próximo à colheita facilitavam execução e visibilidade. A formação exigia planejamento, uso das linhas de trator e técnicas para reduzir rastros.
- Panorama: relatos históricos mudaram foco para autoria, técnicas e replicações controladas.
- Referência útil: veja mais sobre círculos nas plantações.
Da Idade Média à mídia moderna: uma breve história dos círculos
Relatos antigos atribuíam formas em plantações a ventos e redemoinhos. Vamos traçar esse percurso histórico, da observação rural às manchetes de jornal.
Primeiros relatos e explicações naturais no passado
Registros do século XVII descrevem anéis e arcos em campos; autores do século XIX atribuíram parte desses padrões a tempestades.
Essas narrativas integravam tradições locais, que viam fenômenos como ação do vento, redemoinhos e outras causas naturais.
A popularização a partir do fim da década de 1970 no sul da Inglaterra
No final da década de 1970, o sul inglaterra tornou‑se palco de intensa cobertura em jornais e TVs.
Ocorrências em Hampshire e Wiltshire atraíram curiosidade pública e pesquisadores.
Muitas formações apareciam pela manhã após noites silenciosas, reforçando a sensação de surpresa.

Complexidade crescente no século XXI e geografia dos casos no Reino Unido
No século XXI houve salto em quantidade e detalhe: centenas de pictogramas anuais exigiram planejamento meticuloso.
Estudos apontaram concentração próxima a estradas, áreas com população intermediária e locais turísticos como Stonehenge e Avebury.
Esse padrão regional ajudou a consolidar agroglifos no imaginário mundial, entre ceticismo, brincadeira e investigação.
Resumo:
- Tradição histórica;
- massiva atenção midiática desde os anos 1970;
- evolução técnica no século atual.
Doug Bower e Dave Chorley: autores, técnicas e a era dos “brincalhões”
No fim da década de 1970 dois britânicos iniciaram uma série de intervenções que mudaram percepção pública sobre padrões em campos. Em 1991, Doug Bower e Dave Chorley confessaram ter começado em 1978 e atribuíram mais de 200 formações a seus trabalhos.
Pranchas, cordas e linhas retas
As técnicas eram simples. Usavam tábuas amarradas por cordas para deitar plantas e marcar trajetos.
Um boné com arame ajudava a caminhar em linha reta durante a noite. Pontos de referência garantiam curvas limpas.
Provas públicas, concursos e influência cultural
Em uma demonstração para jornal e repórteres, a dupla enganou até um “cerealogista”. O episódio reforçou tese de autoria humana.
No ano seguinte, um concurso no Reino Unido confirmou que equipes conseguiam reproduzir desenhos complexos.
- Legado: grupos como Circlemakers levaram técnicas para comissionamentos comerciais.
- Cultura: nasceu um misto de arte, brincadeira e performance que marcou a história do sul inglaterra.
Brasil em foco: agroglifos em plantações do Sul e os casos de Santa Catarina
No Brasil, fenómenos em lavouras do Sul ganharam identidade própria a partir de relatos repetidos.
Ipuaçu como exemplo recorrente e apelo cultural
Ipuaçu (SC) virou referência desde 2008. A cada ano, entre fim de outubro e início de novembro, surgiam novos padrões em campos de trigo.
Esse calendário favoreceu o contraste visual dos desenhos. A cidade ganhou turismo e fama popular. Ufólogos visitaram a região, reforçando a narrativa mística.
Acamamento, vento e chuvas: quando a natureza também deita plantas
Especialistas locais analisaram o caso. Adolfo Stotz Neto e Hernan Mostajo indicaram autoria humana em muitos relatos.
O agrônomo Luiz Henrique Skodowski explicou acamamento por vento e chuva. Esse tipo de amassamento é irregular e não apresenta simetria geométrica.
- Panorama: Ipuaçu serviu de exemplo prático para distinguir ação humana de falhas naturais.
- Fatores técnicos: culturas como trigo facilitavam execução e visibilidade.
- Cena local: cada vez que um novo desenho aparecia, a cidade ganhava atenção de ufólogos e visitantes.
Explicações em disputa: ação humana, fenômenos naturais e hipóteses extraterrestres
Ao analisar cada caso, percebemos linhas de evidência que favorecem explicações humanas.
Evidências céticas e replicações controladas
Demonstrações públicas, concursos e reportagens, incluindo coberturas por National Geographic, mostraram que equipes reproduziam padrões com tábuas, cordas, GPS e lasers.
Estes testes explicaram marcas, ausência de traços anômalos no solo e logística de execução.
Fenômenos meteorológicos, magnetismo e hipóteses extraordinárias
Redemoinhos e vento justificam amassamentos aleatórios, porém não justificam simetrias complexas encontradas em muitos desenhos.
Estudos não localizaram radioatividade nem alterações físicas que sustentassem teorias sobre seres extraterrestres.
- Resumo: replicações e provas legais de 1992 e 2000 deram força à tese da ação humana.
- Em casos brasileiros, especialistas em Santa Catarina apontaram ausência de sinais anômalos e padrão humano.
- Para alcançar a verdade, adotamos explicações parcimoniosas antes de aceitar hipóteses mirabolantes.
Conclusão
Com base em exames, demonstrações públicas e concursos, entendemos a origem como ação humana. Após anos de observação, a verdade aponta para técnicas simples de achatamento, planejamento e acesso estratégico.
Agroglifos viraram linguagem visual. Nomes como Doug Bower e Dave Chorley — citados também como bower dave chorley — marcaram a história cultural. Artistas e coletivos ampliaram formas e propósito.
No Brasil, casos em Ipuaçu repetiram-se por anos sem sinais anômalos. Mesmo com ufólogos e teorias sobre seres, exames de colheitas não sustentaram hipóteses extraordinárias.
Celebramos beleza dos desenhos, reconhecendo ter sido criação humana. Assim fechamos com equilíbrio entre ciência, arte e curiosidade pelo mundo.