Vamos situar o tema no contexto do sistema solar e mostrar, de forma direta, por que o satélite natural que vemos à noite parece rodeado por vácuo.
Para efeitos práticos, sua “atmosfera” é uma exosfera extremamente rarefeita, com densidade menor que 10^-14 da terrestre ao nível do mar. Partículas escapam com facilidade devido à baixa massa e à gravidade reduzida, por isso gases surgem e se perdem rapidamente para o espaço.
Os dados de missões e observações, como os brilhos crepusculares vistos pelas tripulações Apollo, explicam por que não há camadas ou circulação mensurável. Em plena luz solar, a superfície alcança 127°C; em sombras, cai a -173°C.
Na nossa visão, entender esse quadro esclarece efeitos sobre a Terra, desde marés até pequenas deformações na atmosfera terrestre. Seguiremos passo a passo para separar mitos de evidências e preparar o terreno para missões futuras.
Fundamentos: o que realmente existe ao redor da superfície lunar
Nós descrevemos aqui o que há sobre o solo: não uma atmosfera clássica, mas uma exosfera com poucos átomos por centímetro cúbico.
Exosfera e densidade
Exosfera lunar é uma camada extremamente rarefeita. Sua densidade fica abaixo de 10-14 da terrestre ao nível do mar. Para efeitos práticos, isso equivale a um vácuo, similar às altitudes da Estação Espacial Internacional.
Fontes de partículas
As partículas chegam por desgaseificação interna, que libera radônio-222 e hélio-4 do interior. Outra fonte é a pulverização causada por vento solar e micrometeoritos.
Por que se perde
Muitas moléculas voltam ao regolito. Outras atingem a velocidade de escape de 2,38 km/s e escapam. Íons são varridos pela pressão do sol e pelo campo do vento solar.
Composição detectada
Medições in situ e espectroscopia mostraram argônio-40, hélio-4, sódio e potássio. Há também traços possíveis de oxigênio, metano, nitrogênio, CO e CO2.
- Abundância média: ~80 mil átomos/cm³ — mais que o vento solar, porém infinitamente menor que o ar na terra.
- Poeira em levitação eletrostática causa brilhos crepusculares observados por missões Apollo.
- A gravidade reduzida do satélite limita retenção; atração gravitacional é fraca frente a um planeta.
Porque a lua não tem atmosfera e como isso afeta
Iniciamos explicando como massa reduzida e gravidade limitada tornam a retenção de gases insustentável. Com força gravitacional pequena, partículas alcançam com facilidade a velocidade de escape e fluem para o espaço.
Gravidade fraca e massa reduzida significam que qualquer gás liberado precisa de reabastecimento constante. Radiação solar, pressão de radiação e o vento solar varrem essas partículas rapidamente.

Gravidade fraca e baixa massa
A velocidade de escape é baixa; por isso, moléculas aceleradas acabam perdendo contato com a superfície lunar. Sem camadas que prendam calor ou redistribuam massas gasosas, a exosfera permanece intermitente.
Comparação com a Terra
No nosso planeta, processos internos e trocas com oceanos e biosfera reabastecem a atmosfera. Aqui existem camadas, circulação global e isolamento térmico que a lua possui em grau mínimo.
- Perda rápida: pressão do vento solar e radiação empurram partículas.
- Sem circulação: sem camadas, não há redistribuição de calor.
- Impacto térmico: dia longo e rotação síncrona ampliam extremos na superfície.
Para entender a influência sobre nossa própria atmosfera e marés, consulte este estudo sobre a interação entre Terra e lua: influência lunar na atmosfera terrestre.
Consequências práticas: do clima extremo às marés na atmosfera da Terra
Unimos efeitos térmicos e dinâmicos para mostrar impactos diretos na superfície lunar e nas camadas altas do nosso planeta.

Temperaturas extremas e preservação de crateras
Quando exposta ao sol, a superfície chega a 127°C. Em sombra profunda, cai para -173°C.
Sem vento nem chuva, crateras ficam preservadas por longos períodos. Essas marcas guardam histórias de colisões do sistema solar.
Marés no ar: efeitos na Terra e no espaço próximo
A atração do satélite deforma nossa atmosfera em cerca de 1 metro, gerando oscilações com período de 12h25.
Entre 30 e 110 km de altitude, as variações térmicas podem chegar a 8°C, mais fortes perto de 110 km. Essas marés são sazonais e variam por latitude e longitude.
Impacto em comunicações e navegação
As ondas criam bolhas ionosféricas que degradam sinais LEO, GPS e geossíncronos. Picos ocorrem de novembro a março.
- Prever esses ciclos ajuda no planejamento de lançamentos.
- Reduzimos riscos operacionais com alertas e estratégias de mitigação.
- Compreender a física melhora modelos de clima espacial.
Conclusão
Em suma, o que rodeia o satélite é um filme de partículas instável, formado por desgaseificação e pulverização e perdido por escape e varrimento do vento solar.
Nós reforçamos: trata-se de uma exosfera, não de uma atmosfera estruturada. Detectamos argônio, hélio, sódio e potássio, mas essa mistura não isola a superfície nem modera o clima.
As consequências são claras: extremos térmicos, crateras bem preservadas e um ambiente exposto. Na terra, a atração cria marés atmosféricas e variações na ionosfera, com impacto em comunicações e GPS.
Entender essa interação é estratégico. Assim, podemos prever riscos, proteger satélites e planejar missões com mais segurança pelos próximos anos.